Minha filha, meu tesouro
Ela pegou a pasta de plástico azul cheia de fotos e recortes, jogou álcool e tocou fogo.
Sua menina era uma criança-prodígio, esperta, solícita, cantante, espirituosa.
Havia sido dotada pela natureza de grandes olhos verdes, que se tornaram seu passaporte e a esperança dos pais.
Um dia, a mãe a levou a uma agência de modelos pra fazer um book.
Lá, preencheu questionários e apresentou atestado de saúde.
As despesas logo começaram a aparecer: salão de beleza toda semana, visitas mais freqüentes ao dentista, aulas de canto e balé.
O quarto era uma overdose de pink: penteadeira, cadeira, espelho, almofadas.
Um dia chegou uma carta do Rio, com uma ficha de inscrição e um contrato em branco.
A mãe quase desmaiou, deslumbrada; mostrava o contrato às vizinhas e parentes:
“Ela vai ser modelo, ela foi, escolhida para uma gravação!”
Passou a caprichar mais na alimentação da menina com alimentos light, enquanto reduzia a própria ração.
Era investimento certo no futuro da “modelo” - que logo começou a se comportar como celebridade!
No recreio, adotava ares de quem concede entrevistas.
A dona da agência a fotografou e pediu 1.500 reais para novo book e uma revista.
Um mês depois, a revista saiu - não chegava a ser de circulação nacional, como prometido; era antes um jornaleco com fotos em preto e branco.
A mãe empenhou uns brincos e a aliança e pagou os 1.500 reais, tudo pelo futuro.
Novas fotos, novo book, não tinha mais jóias.
Passou a fazer faxina noturna em hotéis, só agüentou um mês, com dor lombar e varizes.
A menina, ansiosa, passou a ter dor de cabeça e fazer xixi na cama.
Chegou nova carta da agência, agradecendo a colaboração e, sem mais rodeios, dizia que a menina fora recusada para a gravação no Rio.
Ela juntou as fotos, cartas e contratos, botou na pastinha azul.
Como passara a ter insônia, ficou a noite toda olhando e revirando cada papel, cada foto.
Depois, tomou um copo de leite com um comprimido de Lexotan e uns biscoitos, deitou e apagou, sem conseguir descansar.
Quando acordou, deu uma surra na menina.
Com muita raiva, exausta, os olhos secos do sono atrasado, pegou a pasta, jogou álcool e tocou fogo.
E nunca mais se falou no assunto.
Sua menina era uma criança-prodígio, esperta, solícita, cantante, espirituosa.
Havia sido dotada pela natureza de grandes olhos verdes, que se tornaram seu passaporte e a esperança dos pais.
Um dia, a mãe a levou a uma agência de modelos pra fazer um book.
Lá, preencheu questionários e apresentou atestado de saúde.
As despesas logo começaram a aparecer: salão de beleza toda semana, visitas mais freqüentes ao dentista, aulas de canto e balé.
O quarto era uma overdose de pink: penteadeira, cadeira, espelho, almofadas.
Um dia chegou uma carta do Rio, com uma ficha de inscrição e um contrato em branco.
A mãe quase desmaiou, deslumbrada; mostrava o contrato às vizinhas e parentes:
“Ela vai ser modelo, ela foi, escolhida para uma gravação!”
Passou a caprichar mais na alimentação da menina com alimentos light, enquanto reduzia a própria ração.
Era investimento certo no futuro da “modelo” - que logo começou a se comportar como celebridade!
No recreio, adotava ares de quem concede entrevistas.
A dona da agência a fotografou e pediu 1.500 reais para novo book e uma revista.
Um mês depois, a revista saiu - não chegava a ser de circulação nacional, como prometido; era antes um jornaleco com fotos em preto e branco.
A mãe empenhou uns brincos e a aliança e pagou os 1.500 reais, tudo pelo futuro.
Novas fotos, novo book, não tinha mais jóias.
Passou a fazer faxina noturna em hotéis, só agüentou um mês, com dor lombar e varizes.
A menina, ansiosa, passou a ter dor de cabeça e fazer xixi na cama.
Chegou nova carta da agência, agradecendo a colaboração e, sem mais rodeios, dizia que a menina fora recusada para a gravação no Rio.
Ela juntou as fotos, cartas e contratos, botou na pastinha azul.
Como passara a ter insônia, ficou a noite toda olhando e revirando cada papel, cada foto.
Depois, tomou um copo de leite com um comprimido de Lexotan e uns biscoitos, deitou e apagou, sem conseguir descansar.
Quando acordou, deu uma surra na menina.
Com muita raiva, exausta, os olhos secos do sono atrasado, pegou a pasta, jogou álcool e tocou fogo.
E nunca mais se falou no assunto.


1 Comments:
Essa historia é bem parecida com alguem que conhecemos. Se nao fosse o bom senso teria acontecido isso.
Beijocas
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